Nove Passos, Nove Concelhos em Mirandela

Nove Passos, Nove Concelhos em Mirandela

Fomos conhecer Mirandela e o projeto Nove Passos, Nove Concelhos a convite da CIM - Terras de Trás-os-Montes. Curiosos? Saibam tudo neste artigo.

Tabela de Conteúdos

A convite da CIM – Terras de Trás-os-Montes estivemos em Mirandela para dar a conhecer o que de melhor aqui existe. O ponto de partida seria experienciar o percurso do Vale do Lobo que integra o Projeto Nove Passos, Nove Concelhos e assim promover o Destino Natural que são as Terras de Trás-os-Montes. 

Juntamente connosco estavam mais 17 bloggers de viagem, divididos pelos nove concelhos, todos eles viriam a explorar um percurso. 

Onde ficar alojado em Mirandela

Assim que chegados a Mirandela, ficamos hospedados no Ribeira House. Este foi um projeto que nasceu já durante a pandemia, embora tenha sido pensado ao longo dos anos. 

Situada em pleno centro de Mirandela, junto a uma ribeira, daí o seu nome. Todo o ambiente foi pensado para que apesar da faceta urbana não seja esquecido a harmonia ecológica. Os tons neutros e verdes predominam e nos quartos temos todas a comodidades, como máquina de café e até uma pequena varanda.

O Ribeira House está plenamente adaptado às novas condições higiénicas que agora nos são impostas e uma das ações é a escolha do horário e do menu de pequeno-almoço, para que desta forma todos os hóspedes estejam em segurança. 

Na carta de pequeno-almoço não podiam faltar os produtos regionais, o que podemos provar, com um mix de queijos e compotas caseiras. 

Para além disto, existe uma zona envolvente bem grande com piscina, que nos dias de calor que se fez sentir em Mirandela foi do nosso agrado. Tivemos ainda oportunidade de espreitar o terraço em noite de lua cheia, mais uma agradável surpresa. 

Algo que gostamos muito neste alojamento, foi a preocupação ambiental. Todas as práticas baseiam-se na sustentabilidade e harmonia com a natureza, daí o uso dos produtos locais, utilização de energias renováveis e a racionalidade nos consumos energéticos. Sentimo-nos que cada vez mais isto é uma consideração no setor do turismo e isso deixa-nos tão contentes.  

O staff foi tão atencioso e mimou-nos durante a estadia, sentimo-nos em casa. Mais uma prova que os transmontamos sabem muito bem receber. 

Onde comer em Mirandela

Cada vez que vamos para Trás-os-Montes já sabemos que a qualidade e quantidades dos produtos é abundante. 

Temos amigos do sul de Portugal que nos dizem ‘no Norte come-se tão bem’. Não querendo ser tendenciosos mas, confirma-mos. Como portuguesa, tenho imenso orgulho da nossa gastronomia, embora ache que por vezes não sabemos publicita-la como deveríamos. 

Mirandela, é conhecida como a terra das alheiras. Mas, os produtos típicos vão muito para lá disso e este fim-de-semana foi uma a surpresa em termos gastronómicos. 

Restaurante Bem Bô

Começo por dizer que é tão difícil fazer qualquer crítica à gastronomia transmontana. É tudo tão bom e de qualidade. 

E para começarmos em grande, formos logo jantar ao restaurante Bem Bô – cousas de comer. O interior decorado elegantemente contrasta com a ementa onde imperam os pratos tradicionais. 

Nas entradas temos mesmo que destacar os cogumelos picantes, alheira era bastante saborosa e claro não podiam faltas as torradas de azeite, que estamos fãs. 

Para prato principal e por sugestão decidimos provar a chicha acompanhada de batatas e maionese caseira. Há também bacalhau, polvo afogado em azeite ou até mesmo leitão. 

No entanto, penso que foi as sobremesas que roubou todas as atenções. A minha mousse de chocolate com caramelo salgado foi das melhores que comi até hoje. O pudim azeitado foi a estrela do jantar, nunca tínhamos provado tal pudim e adoramos, a mistura de sabores deixa-nos a salivar por mais. 

O restaurante Bem Bô concorreu às melhores maravilhas da gastronomia portuguesa, com os seus rabos de polvo das bruxas, uma receita bem antiga e elaborada na confeção. 

Restaurante Maria Rita

Mal chegamos ao restaurante Maria Rita o impacto foi logo positivo. O aspeto rústico do exterior adivinha um interior ainda mais sensacional. 

Nove Passos, Nove Concelhos em Mirandela-restaurante maria rita 2
Restaurante Maria Rita na aldeia de Jerusalém do Romeu.

Situado na típica aldeia transmontana de Jerusalém do Romeu, o Maria Rita é por si só uma autêntica viagem no tempo. Reza a história que Clemente Menéres chegado do Porto ao Romeu, encontrou a única estalagem na altura, da Senhora Maria Rita, que acabaria também por oferecer um prato de comida. 

Anos depois da morte da Senhora, a estalagem estava em ruínas, quando a Casa Menéres a comprou e restaurou. Foi já pela mão de Manoel Menéres, filho de Clemente, que soube recriar o espaço com a essência e raízes culturais destas terras transmontanas. 

Passado de geração em geração, o restaurante Maria Rita continua aqui a fazer as delícias de todos os que o visitam. 

Está hoje em dia, integrado numa quinta, a Quinta do Romeu, que possui produção biológica e produtos portugueses onde se salienta o azeite e o vinho. 

Na altura de Verão podemos usufruir da bela esplanada que este tem, e onde comemos as entradas. 

Prosseguindo para o interior, almoçamos na chamada mesa dos reis, uma mesa enorme que lembra as cortes reais. No menu, estão pratos como a açorda de espargos bravos, feijoca à trasmontana, posta mirandesa, sopa seca, ficamo-nos pelo bacalhau à Romeu. 

Depois desta refeição já quase que nem queríamos sair daqui. Para quem passa para estes lados de Terras de Tás-os-Montes, o Maria Rita é paragem obrigatória. E arriscamos mesmo dizer que vale a pena, o desvio, se não estiverem por perto, para esta experiência. 

Gula do Petisco

Uma das coisas que gostamos e como bons portugueses é petiscar. Ora, não é que em Mirandela fomos encontrar um restaurante digno disso. 

A Gula do Petisco está situada bem no centro da cidade, na zona histórica. A sua decoração interior é curiosa, faz-nos lembrar uma casa de fado. 

É muito procurado hoje em dia, pelos jovens mirandelenses, que aproveitam o aliam o convívio ao bom petiscar. Ainda que esta situação de pandemia não tenha contribuído para isso. 

A comida caseira deixa-nos a salivar. Por entre tabuas de enchidos, onde não falta a alheira, destacam-se as ameijoas, as moelas, e claro as tostas de azeite. 

O que visitar em Mirandela

Quem chega a Mirandela é impossível ficar indiferente àquele que é o ex-libris da cidade, a ponte velha. 

Está classificada como Monumento Nacional, e os seus arcos sofreram alterações ao longo dos tempos. No tabuleiro central existiam ainda a imagem de Nossa Senhora do Amparo do lado norte e Nossa Senhora dos Aflitos no lado sul, ambas retiradas na última reparação.

No centro histórico da cidade e de visita obrigatória está o Paço dos Távoras, a Igreja da Misericórdia, a Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, o Solar dos Condes de Vinhais e a Porta de Santo António. 

Gostamos muito de Museus e em Mirandela fomos visitar dois: o da oliveira e do Azeite e o museu Municipal Armindo Teixeira Lopes. 

O primeiro foi muito elucidativo, uma vez que não sabíamos que Mirandela era zona de produção de azeite. Nem sabíamos que tinha tanto olival. O museu, bem estrutura conta a historia não só do nordeste de Portugal como, de todo o cultivo da oliveira e suas aplicações. Vários utensílios que eram utilizados estão exposto e até uma antiga pedra de moinho. 

O museu Municipal Armindo Teixeira Lopes, é dedicado à obra do pintor. No seu interior encontram-se também exibidos obras de outros artistas nacionais e internacionais, como Nadir Afonso, Graça Morais, Almada Negreiros, Mário Cesariny entre outros. 

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Museu Municipal Armindo Teixeira Lopes onde estão exibidas obras de vários artistas nacionais e internacionais.

Na Ecoteca de Mirandela aprendemos muito sobre a região, a sua fauna e flora, a sua geologia e biodiversidade. Este centro interpretativo integra a Porta de Entrada de Mirandela do Parque Regional Natural do Vale do Tua. 

Com o rio Tua a serpentear por Mirandela, a nova praia fluvial veio ajudar a refrescar nesta altura de verão em que as temperaturas sobem. 

Aproveitamos para treinar as nossas habilidades no stand-up paddle e nas canoas, com uma pequena ajuda do Clube Fluvial de Mirandela. 

Ainda nas margens do rio Tua podemos encontrar o Parque do Imperio, com o seu anfiteatro onde se realizam diversos espetáculos. 

Em Mirandela todos os anos no meio do verão as festividades anuais atraem muitos turistas. A Noite dos Bombos é bastante conhecida, dezenas de bandas de percussão marcham pelas ruas com as suas batas brancas. 

Serra de Santa Comba

Esta nossa aventura por Mirandela não podia ficar completa sem um passeio pela Serra de Santa Comba.

Situada entre dois concelhos, o de Valpaços e o de Mirandela no seu cume está o Miradouro de Santa Comba, um dos mais belos de Trás-os-Montes. Podemos confirmar que a vista de 360º é incrivelmente abrangente. Tivemos a sorte do dia estar soalheiro, apesar de um pouco ventoso.

A paisagista é tão vasta que do cume podemos ver sobre a região de Sanábria, já situada em Castela e Leão.

A Serra de Santa Comba é ainda usada para diversas atividades, tais como o parapente ou escalada.

Um pouco abaixo do miradouro, está o Buraco da Pala, importante como espaço de ocupação sazonal durante o período do Neolítico Antigo (5500 a 3500 a.C) e como área de armazenamento agrícola no Calcolítico (3500 a 2200 a.C).

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Buraco da Pala na Serra de Santa Comba.

Ao longo da Serra, nas suas escarpas rochosas deparamo-nos com aquela que é considerada a maior concentração portuguesa de pintura rupestre.

Há 32 anos que foram descobertas, mas o difícil acesso em alguns pontos tornou o seu estudo mais árduo. Tivemos a sorte de poder presenciar algumas dessas pinturas, esta arte dos nossos antepassados deixam-nos sempre embasbacados. É importante apelar à sua preservação.

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Pinturas rupestres na Serra de Santa Comba.

Está em marcha um projeto para tornar visitável toda esta concentração de arte rupestre. Somos sempre muito sépticos em relação a este tipo de intervenção. Acreditamos que antes de qualquer coisa deve ser feita sempre intervenção no sentido educacional, para as pessoas perceberem que isto não se trata de algo banal, mas sim de arte muito antiga a qual tem elevada importância histórica.

Depois desta breve visita seguimos em direção ao Santuário de Santa Comba. Localizado num dos pontos mais elevados, todos os anos se realiza uma festa em honra da padroeira que dá nome à Serra.

É na Lenda de Santa Comba que assenta a santidade. Esta conta algo assim:

Leonardo e Comba eram dois irmãos pastores. Comba encantava com a sua rara beleza, todos à sua volta, inclusive o Rei Mouro, que reinava na região de Lamas. O Rei, também chamado de Orelhão (que tinha uma orelha de burro e outra de cão) achou que podia possui Comba à força.

Mas a Comba fugiu e quando o Rei estava prestes a alcança-la esta invoca os poderes divinos dizendo ‘Abre-te fraga bendita, para em ti entrar a Comba catita’ A fraga abriu-se e a Comba ali foi abrigada. O Rei avançando sobre a fraga deixou as ferraduras de seu cavalo gravadas.

Enraivecido o Rei matou o irmão de Comba, atirando-o para um poço, diz o dito popular que ainda hoje esse poço nunca seca, apesar de situado no cume de um monte.

Estas lendas populares são o que fazem as nossas terras portuguesas, é tão bom que ainda se conservem no tempo, e deviam mesmo ser contadas de geração em geração para que nunca se percam.

Aproveitando, o fresco da Serra, fizemos um piquenique no parque de merendas adjacente ao santuário.

Nada disto teria sido possível sem os nossos guias da Naturthoughts. Foi graças a eles que o fim-de-semana em Mirandela tornou-se fantástico.

Um muito obrigado ao Domingos e João e toda a sua equipa pelo passeio na Serra, o piquenique e todos os momentos que nos proporcionam. Tudo isto foi também uma partilha e troca de experiencias uma vez que eles conhecem este território como ninguém e a sua visão e valores vai de encontro aos nossos.

Nove Passos, Nove Concelhos

As Terras de Trás-os-Montes valorizando o seu património natural colocaram em marcha a iniciativa Nove Passos, Nove Concelhos.

Os nove concelhos que constituem este território, sendo eles, Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais, aderiram de forma plena para partilhar o que de melhor têm.

Cada um dos concelhos tem um percurso com direito a carimbo no Passaporte Natural. Para facilitar foi criada uma app, disponível na app store e Google Play.

Cada percurso tem a informação detalhada, localização, ficha técnica, área protegida onde se insere, a fauna, flora e geologia que podemos encontrar e funciona até mesmo offline.

Num fim-de-semana, cheio de aventura, 18 membros da ABVP – Associação de Bloggers de Viagem Portugueses foram percorrer cada um destes trilhos, e explorar uma das regiões mais ricas da Europa.

Percurso do Vale do Lobo

Foi-nos proposto percorrer o percurso do Vale do Lobo. Localizado na área protegida do SIC (Sítio de Importância Comunitária) Romeu apresenta uma grande relevância na conservação dos bosques.

O ponto de partida foi a aldeia de Vale de Lobo, é linear e ocorre numa distância de mais ou menos 4,2 km. Mas, para melhor nos situarmos descarregamos a app, que nos permite verificar tudo offline.

Ao longo da nossa caminhada destacam-se os bosques de sobreiro, os zimbrais e a azinheira. A app mostra-nos os vários pontos de interesse e a informação sobre os mesmos. Como a galeria ripícola que encontramos já no final do percurso, e refere a presença de grande diversidade de árvores, como amieiros, choupos, freixos e ulmeiros.

A exploração agrícola tradicional ainda é uma constante nesta zona, como podemos presenciar pelos olivais e amendoais.

Onde há árvores, há aves, pois estas servem de abrigo. Entre as espécies presentes salienta-se o abelharuco, as perdizes, o chapim-azul, a cotovia-pequena, o pintassilgo, o pintarroxo, a petinha-dos-campos, o picanço-barreteiro, a poupa e em algumas ocasiões a águia-cobreira.  

Os mamíferos embora mais esquivos, também marcam presença pelo texugo e o ouriço-cacheiro. Existem ainda diversos répteis e anfíbios, como a lagartixa-ibérica e o sapo-corredor.

Já a meio do nosso trilho fizemos uma pausa para petiscar um belo dum piquenique matinal. Afinal, já estávamos a pedir um reforço para continuar. E que bem que soube.

O percurso está bem assinalado e para quem usa a app, achamos que é fácil e bem construída pois dá-nos toda a informação que necessitamos. De realçar que na época de maior calor será aconselhável fazer este percurso em horas que o sol não seja intenso, pois grande parte é desprovida de sombra.

O percurso do Vale do Lobo é acessível e pode inclusive ser feito com crianças como no nosso caso em que estivemos acompanhados pelos nossos amigos do blog Menina Mundo.

Este fim-de-semana em Mirandela esteve inserido no projeto Nove Passos, Nove Concelhos, a convite da CIM - Terras de Trás-os-Montes. Agradecemos toda a amabilidade e disponibilidade de todos os intervenientes.

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